PAULO DIRCEU DIAS
COLUNA PUBLICADA NO SITE "SPORTMANIA"
EM 15.10.2005
QUE EVENTOS PRIVILEGIAR?
"Os dirigentes do esporte da sinuca devem preocupar-se mais com a realização de eventos coletivos, voltados aos clubes, ou com os individuais, dedicados aos atletas?". Para avaliar devemos considerar:
- que as federações são fundadas nos estados por clubes e agremiações à eles equiparadas, detendo a condição exclusiva do poder de voto;
- que as outras entidades praticantes do esporte, não enquadradas ou equiparadas a clubes, também podem vincular-se às federações, mas, por meio de registro e/ou reconhecimento e sem direito de voto;
- que a Confederação Brasileira de Bilhar e Sinuca foi fundada por federações regularmente constituídas, portanto, pelos clubes e agremiações desportivas filiadas; e,
- que os atletas, que também não podem ser filiados e não tem direito à voto, devem ser registrados individualmente nas federações e cadastrados na Confederação, por meio dos clubes à que são vinculados.
Com essa organização nas entidades oficiais do nosso esporte, podemos entender que elas deveriam defender acentuadamente os interesses de suas filiadas, isto é, dirigir as suas realizações e eventos para os certames coletivos, cujas equipes participantes defendam os seus clubes e agremiações. Entretanto, ainda que considerando a sólida base coletiva, não podemos ignorar que os mesmos clubes filiados dependem da participação dos seus atletas e que, sem eles, a equipe representativa e o próprio esporte não terão existência e significado.
Dessa forma entendemos que:
- ambas as categorias são importantes e interdependentes;
- os campeonatos individuais são necessários e devem continuar a ter as atenções dos nossos dirigentes, pois incentivam e divulgam o esporte, induzem à sua prática e originam fãs e admiradores, que tornam-se simpatizantes, adeptos, colaboradores e praticantes;
- os certames coletivos, com equipes representativas de clubes e entidades desportivas, são de vital importância ao desenvolvimento do nosso esporte e necessitam ser intensificados e multiplicados, rápida e geometricamente;
- sem os clubes e os campeonatos coletivos, o esporte continuará com dificuldades no crescimento e o número de adeptos manterá o atual lento progresso;
- e que o oposto é verdadeiro; com o apoio e participação efetiva dos clubes, o sucesso das realizações desportivas será concreto e acentuado; e,
- é também fato que, assim como em outros esportes, prestigiada pelos clubes e ampliadas as realizações coletivas, a sinuca terá assistentes e adeptos voltando atenções para os certames de equipes, com torcidas vibrando por seus clubes, suas comunidades, suas cidades e os seus estados, e equipes compostas por seus atletas preferidos, sadia e progressiva redução natural na relevância dos eventos individuais.
Assim, podemos concluir que; o futuro do esporte da sinuca depende significativamente das realizações coletivas, e que, os eventos que envolvem atletas individualmente se tornarão conseqüência natural daquelas.
Agravando tal necessidade constata-se que, geralmente, bom número de clubes que reivindicam maior atenção e participação coletiva, simultaneamente relutam em prestigiar e apoiar os seus departamentos e dirigentes do esporte, dificultando, quando não impedindo, os trabalhos que deverão no futuro atingir os objetivos primeiros das nossas entidades; os certames coletivos.
Como testemunho de tal importância, de médio tempo passado, citamos: por longa inatividade determinada federação foi desfiliada da Confederação Brasileira, em atitude adotada com o objetivo de permitir e facilitar a sua reorganização, com retomada de atividades. Novo grupo assumiu, novamente vinculando a entidade à Confederação, mas esbarrou na ostensiva desconfiança dos dirigentes de clubes, estes entendendo que as iniciativas do novo grupo "...poderiam também ser dirigidas para os “profissionais” do esporte, individualmente, em detrimento dos coletivos defendidos pelos clubes". Não sendo esse o objetivo primeiro das entidades do esporte, e do novo grupo, árduo trabalho de convencimento e reorganização acabou por vingar e prosperar, por meio de investimentos maiores em certames coletivos, sem desmerecer os individuais, conseguindo a adesão contínua e crescente dos clubes, o que levou aquela federação a ser apontada como exemplo à muitas das suas co-irmãs, em organização, realizações e respeito, por bom período. Infelizmente o indesejável também aconteceu; essa visão e práticas foram alteradas na troca de dirigentes, e com os novos dirigentes a entidade perdeu muitos dos clubes filiados, contando hoje com insignificante número, e regrediu, muito! Em oposto, um reduzido número de federações que dedica atenção aos coletivos, crescem desportivamente. Portanto, confirma-se que; sem os clubes e os eventos coletivos, definitivamente não há progresso no nosso esporte.
É fato que ainda hoje é mantido destaque maior para os eventos individuais, mas assim acontece por falta de conscientização da verdadeira necessidade e caminho do esporte, por parte de dirigentes, clubes e praticantes. Bom número não nega atenção, participação e prestígio, mas são poucos e ainda não encontram o justo respaldo da maioria dos clubes e, até mesmo, em algumas federações.
Sem sacrificar ou reduzir a atenção para o que já existe, é nossa sincera esperança que os dirigentes consigam reverter o quadro atual, por meio da intensificação nas realizações coletivas, sem dúvida o único caminho para promover o crescimento acentuado do nosso esporte. Para isso, necessitam do apoio de atletas, individualmente, e dos clubes, agremiações, associações, academias, salões comerciais, enfim, de todas as entidades que podem e devem realizar eventos coletivos, com freqüência e destaque.
Coletivamente encontraremos maior sucesso!
Paulo Dirceu Dias
paulo@snookerclube.com.brVisite o site "Sportmania": http://www.sportmania.com.br/ - Coluna "Bolas e Caçapas".
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