PAULO DIRCEU DIAS
COLUNA PUBLICADA NO SITE "SPORTMANIA"
EM 01.02.2006
CAMPEONATO MUNDIAL DE SNOOKER 2006
A estiagem atualmente atravessada nos eventos brasileiros de sinuca, originada principalmente na dificuldade em conseguir patrocínios, leva-nos a comentar os acontecimentos em torno dos preparativos para o campeonato mundial de 2006, que também experimenta dificuldades parecidas, embora ainda não graves.
Os atuais 16 melhores do mundo, “Top 16” do ranking; Shaun Murphy, Steve Davis, Jimmy White, Peter Ebdon, Matthew Stevens, Ken Doherty, Alan McManus, Stephen Maguire, Stephen Hendry, Graeme Dott, Stephen Lee, Paul Hunter, John Higgins, Mark Williams, Joe Perry e Ronnie O'Sullivan, já estão com seus nomes nas chaves que aguardam os 16 vencedores dos certames classificatórios para a final do mundial de snooker, que acontecerá de 15 de abril à 1 de maio de 2006, identificado como 2005/2006 por iniciar seus eventos de classificação no final de cada ano, estendendo-se por alguns meses com encerramento geralmente em abril/maio.
Em tradição inglesa quase centenária essa grande final, “Embassy World Championship”, vem sendo realizada em Sheffield. Entretanto, por meio de licitação em curso, outras cidades estão disputando esse privilégio, envolvendo também Liverpool, Preston, Newcastle/Gateshead, Birmingham e Manchester, todas interessadas em sediar o mais importante campeonato de snooker. A escolha deverá ser anunciada em breve.
Acostumados aos patrocínios das industrias do tabaco, que então disputavam a promoção dos eventos de snooker e permitiam realizações portentosas, com oferta de vultosos prêmios já comentados nesta coluna, os dirigentes dos mundiais encontram agora dificuldades em substituir essas fontes. A complicação surgiu há dois anos, em decorrência de lei que proibiu vínculos das empresas de cigarros com os esportes oficiais, exercendo imediata influencia nas decisões sobre o “Embassy”, algumas ainda pendentes, inclusive a definição sobre o volume de prêmios para este ano, que tentam manter em valores parecidos aos tradicionais.
Essa alteração radical nos patrocínios vem intensificando discussões antes já existentes nas decisões sobre o mundial, nas áreas financeira, política, técnica e estrutural, com debates envolvendo a possível redução na quantidade de partidas em cada jogo, que tradicionalmente determina para o Embassy “melhor de 19 partidas” na primeira etapa, “melhor de 25” na segunda e “melhor de 35” nas finais, a quantidade de jogadores finalistas, com sugestões de ampliar para 64 os atuais 32 admitidos, bem como sobre o próprio sistema de classificações. Alguns dirigentes querem, com a ampliação do número de finalistas, mesclar a atual identificação dos participantes pelo ranking mundial com eventos classificatórios independentes, realizados em países com destaque no esporte e filiados aos órgãos internacionais, classificando também seus representantes para as finais do mundial. Um forte argumento a favor desses pleitos está apoiado no fato de que praticamente tudo no mundial de snooker acontece em alguns países da Europa, com raras exceções todos próximos da Inglaterra, produzindo exclusões significativas por força das distâncias, que impossibilitam a freqüência regular nos eventos oficiais pelos constantes deslocamentos internacionais, impedindo a representação de muitos países importantes, cujos atletas não conseguem classificação no ranking pelas dificuldades encontradas.
O sistema que agora debatem foi adotado no Brasil, há alguns anos, para os campeonatos de vulto nacional, admitindo os representantes de cada estado, com federação constituída e em número equivalente às respectivas atividades desenvolvidas ao longo do ano desportivo, que unem-se aos melhores do ranking nacional para disputar o título máximo do ano. Sempre entendemos que esse método é representativamente mais justo. Se vingar a implantação similar internacionalmente, provavelmente estará ampliada a chance de brasileiros participarem da grande final mundial! Não acontecerá este ano mas esperamos que novidades aconteçam para 2007. Até lá, os brasileiros não conseguirão tal proeza pela ausência nos eventos que oferecem pontos para o ranking mundial. Tecnicamente as condições existem, mas problemas geográficos e dificuldades financeiras impedem!
Paulo Dirceu Dias
paulo@snookerclube.com.brVisite o site "Sportmania": http://www.sportmania.com.br/ - Coluna "Bolas e Caçapas".
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