PAULO DIRCEU DIAS

COLUNA PUBLICADA NO SITE "SPORTMANIA"

EM 15.02.2006

EMOCIONAL, ADRENALINA E SINUCA

Adrenalina é definida como um hormônio produzido pela parte medular das glândulas supra-renais, que produz efeitos no organismo por meio da circulação e metabolismo, com ação sobre o sistema nervoso simpático, coração, pulmões, vasos sanguíneos, órgãos genitais e outros, originando reações diversas, entre elas a estimulação e exaltação. Alguns acontecimentos, como a libido, o baixo nível de glicose, o stress físico, mental e/ou emocional, agem como estimulantes naturais e acionam o mecanismo de liberação da adrenalina no sangue, tendo como efeitos mais imediatos o aumento do batimento cardíaco, dilatação dos brônquios e pupilas, vasoconstrição, suor e outros.

Exemplos ensinam que, quando um animal é ameaçado as opções instintivas serão a de ficar e lutar ou correr o mais rápido possível, e ambas respostas exigem quantidade extra de oxigênio e açúcar no sangue e nos músculos, neste momento liberando a adrenalina na corrente sangüínea, coração e músculos, originando contrações dos vasos sangüíneos. Afirmam ainda que, quando levamos um susto ou praticamos um esporte, com maior ou menor intensidade milhares de estruturas são liberadas em nossa corrente sanguínea, alterando o nosso organismo na tentativa de prepará-lo para enfrentar a situação de tensão, alerta ou decisão, provocando reações diferentes em cada pessoa, com raras e privilegiadas se acalmando e agindo com especial tranqüilidade, às vezes quase nada notando nas modificações produzidas, mas, a maioria tendo alterações orgânicas significativas, física e mental, afetando seus atos.

Durante jogos importantes, em alguns momentos decisivos grande número de jogadores passa por alterações emocionais que liberam a adrenalina, com influencia nas suas ações. As mãos soam mais, dificultando o deslizar do taco. Mãos e braços ficam tensos, tornando os movimentos irregulares e impossibilitando a precisão exigida nas jogadas. O raciocínio fica prejudicado, dificultando a identificação das melhores opções de jogadas e escolha da técnica à aplicar. Esse conjunto de efeitos diminui significativamente a técnica no jogo, reduzindo a eficiência e prejudicando resultados.

Durante campeonatos é comum jogadores experientes e altamente técnicos repentinamente passarem a errar bolas fáceis e não conseguir seqüência em tacadas que lhe dariam vitória. Quando assim acontece, e é freqüente, acaba por vencer aquele que conseguiu se manter mais calmo, não necessariamente o melhor tecnicamente.

Um exemplo bastante claro desse fato acontecia com o amigo Gabiais, de Goiás. Jogador técnico e eficiente, com excelente grau de recursos, nos tempos de seu apogeu, durante os jogos preparativos e de treinamentos de campeonatos costumava vencer com facilidade todos os seus companheiros, para a maioria oferecendo alto “partido” (pontos de vantagem oferecidos como bônus ao oponente), até mesmo em jogos “apostados”, sempre mantendo calma e tranqüilidade incríveis, em qualquer situação. Em seguida, nos jogos oficiais dos campeonatos, perdia rápida e facilmente para os mesmos jogadores, apresentando jogo irreconhecível, que sempre o impediram de chegar às finais. Com certeza o amigo sentia forte influência do emocional, com a adrenalina “no pico”. Acontece com praticamente todos, inclusive os mais experientes!

Essa é uma das razões da divulgação sempre feita no meio da sinuca, de que; além de propiciar entretenimento e confraternização entre participantes e assistentes, a prática da sinuca exige dedicação, treinamento, concentração, habilidade, agilidade, preparo físico, técnica, raciocínio, e estratégia, necessitando, portanto, de ambiente calmo, silencioso e salutar.

Paulo Dirceu Dias
paulo@snookerclube.com.br

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