

PADRE BARTOLOMEU LOURENÇO DE GUSMÃO


ANTECEDENDO SANTOS DUMONT, OUTRO BRASILEIRO ILUSTRE
BARTOLOMEU LOURENÇO DE GUSMÃO, O PAI DA AEROSTAÇÃO
Em dezembro de 1685 nascia na então Vila de Santos, em São Paulo, Bartolomeu Lourenço de Gusmão. Brilhante, de idéias avançadas para sua época, fez os estudos primários em Santos e seguiu para o Seminário de Belém, Bahia, a fim de completar o Curso de Humanidades, onde filiou-se à Companhia de Jesus, sob a orientação do amigo de seu pai e fundador daquele Seminário, Padre Alexandre de Gusmão.
Em 1705, com apenas 20 anos de idade, requereu à Câmara da Bahia o privilégio para o seu primeiro invento: um aparelho que fazia subir a água de um riacho até uma altura de cerca de 100 metros. A água não precisaria mais ser transportada morro acima nas costas de homens ou em lombo de animais.
Bartolomeu de Gusmão se incorporou à série das figuras que pertencem à história da humanidade, no campo das ciências, com invenção notabilíssima, integrando a galeria das nossas glórias nacionais e nas do Mundo, com o primacial relevo que assumiu na prioridade da navegação aérea.
Entre 1708 e 1709, Bartolomeu de Gusmão, já ingresso no sacerdócio, embarcou para Lisboa, Capital do Império, onde aprofundaria seus conhecimentos. Na Universidade de Coimbra realizou estudos das Ciências Matemática, Astronomia, Mecânica, Física, Química e Filologia, e o exercício da Diplomacia e da Criptografia, atendendo designação de D. João V. Bacharelou-se em 5 de maio de 1720 e completou o Curso de Doutoramento da Faculdade de Canones, da Universidade de Coimbra, em junho de 1720.
Foi uma bolha de sabão elevando-se, ao se aproximar do ar quente ao redor da chama de uma vela, que acendeu o intelecto de Gusmão para a diferença entre as densidades do ar. "Um objeto mais Ieve que o ar poderia então voar!".
Em 1709, anunciou à corte que apresentaria uma "Máquina de Voar". Em 3 de agosto de 1709 realizou a primeira tentativa na Sala de Audiências do Palácio. No entanto, o pequeno balão de papel, aquecido por uma chama, incendiou-se antes ainda de alçar vôo.

Representação artística da experiência de Bartolomeu
de Gusmão.
Dois dias mais tarde a tentativa deu resultado: o balão subiu cerca de 20 palmos, para espanto dos presentes. Assustados com a possibilidade de um incêndio, os criados do palácio se lançaram contra o engenho antes que este chegasse ao teto.
Três dias depois, no dia 8 de agosto de 1709, foi feita a terceira experiência, agora no Pátio da Casa da Índia, na presença de D. João V, a rainha D. Maria Anad e Habsburgo, o Núncio Cardeal Conti, o Infante D. Francisco de Portugal, o Marquês de Fonte, fidalgos e damas da Corte e outros personagens. Desta vez com sucesso absoluto. O balão ergueu-se lentamente, indo cair, uma vez esgotada sua chama, no Terreiro do Paço.
Havia sido construído o primeiro engenho mais Ieve que o ar. O Rei ficou tão impressionado com o engenho que concedeu a Gusmão o direito sobre toda e qualquer nave voadora desde então. E para todos aqueles que ousassem interferir ou copiar-lhe as idéias, a pena seria a morte.
O invento do Padre chamou-se Passarola, em razão de ter a forma de pássaro. A concepção e realização do aeróstato por Bartolomeu de Gusmão foi passo gigantesco, que representou a invenção, idealização e objetivação do fIutuador aerostático, donde deveria sair a aeronave, sendo corretamente considerado o Pai da Aeroestação e precedido em 74 anos os irmãos Montgolfier, que voaram em um balão de ar quente em 1783.

Imagem sem identificação, atribuída à Bartolomeu
de Gusmão.
Bartolomeu de Gusmão foi uma figura singular, na qual o homem, o sacerdote e o bem-dotado se fundiam numa personalidade complexa, que enxergava muito à frente de seu tempo, sofrendo as naturais e inevitáveis conseqüências dessa excepcionalidade. O Padre faleceu em 19 de novembro de 1729, em Toledo, na Espanha, sendo considerado pelos seus feitos a primeira e a mais bela página da Aeronáutica.
Com intuito de homenagear esse insigne brasileiro que se tornou, por seus trabalhos e realizações no campo da Aerostação, um dos precursores da Aviação, motivo por que deve ser cultuado como paradigma de dedicação, zelo e amor à Aeronáutica, o Presidente da República, pelo Decreto n° 68.886, de 06 de julho de 1971, resolveu criar no Ministério da Aeronáutica, a Medalha "Bartolomeu de Gusmão", considerando o que expôs o Ministro da Aeronáutica sobre a conveniência da instituição de uma medalha, com a finalidade de premiar aqueles que tenham prestado serviços apreciáveis ao Ministério da Aeronáutica. Atualmente, a Portaria n° 974/SCC, de 25 de novembro de 1992, regula o critério para a concessão e anulação da referida Medalha e dá outra providências.
Os restos mortais do Padre Bartolomeu de Gusmão foram encaminhados pelo governo da Espanha ao Brasil, onde ficaram sob a guarda da Fundação Santos-Dumont durante algum tempo. Posteriormente estiveram sob os cuidados do Comando da Aeronáutica - IV Comando Aéreo Regional - e, em 24.03.2004, foram sepultados na crípta da Catedral da Sé de São Paulo, capital, com missa solene de réquiem.
Esse texto, parcialmente resumido, foi conseguido no convite (Imagem anterior) do Comando da Aeronáutica - IV Comando Aéreo Regional - para a realização de Missa Solene que estariam realizando no dia 24 de março de 2004, como Tributo ao Pai da Aerostação. Nesse convite consta que o texto foi extraído do livro "Medalhística Aeronáutica Brasileira", publicado pelo Gabinete do Ministro da Aeronáutica - GABAER - edição 1998, página 131.
Um original do convite em questão foi cedido por Emanuel Rodrigues, pesquisador e historiador, juntamente com o material sobre Santos Dumont.
Paulo
Dirceu Dias
Sorocaba - SP